O segredo técnico por trás das transmissões da Copa do Mundo 2026

 O segredo técnico por trás das transmissões da Copa do Mundo 2026

Olá pessoal! Você já teve a sensação de ouvir o seu vizinho gritar “GOL” enquanto a bola ainda estava no meio-campo da sua TV? Isso não é maluquice, é tecnologia. E a Copa de 2026 deu início a uma guerra bizarra de bastidores que está mudando como você assiste futebol. Hoje vou falar sobre as tecnologias que estão sendo usadas nessa Copa do Mundo. Então, vamos lá!

Você já deve ter visto, nas partidas do evento, avatares 3D dos jogadores para saber exatamente qual parte do corpo gerou a infração discutida, ou a visão do árbitro, que são câmeras instaladas na altura do olho para oferecer ao público uma visão semelhante à que o juiz teve durante a jogada, são coisas que tornam essa Copa a mais tecnológica de todas. Isso você já deve ter visto, mas quero trazer algumas coisas diferentes:

Primeiro, uso de Inteligência Artificial para ajudar técnicos e seleções. Imagina você ter uma IA que ajuda você a se preparar para a partida? Pois é, todas as 48 seleções, presentes no evento, terão acesso a uma plataforma de análise de dados desenvolvida especificamente para o futebol. Chamada de “FIFA AI Pro”, o sistema foi treinado com dados históricos acumulados pela entidade e consegue processar mais de 2 mil métricas por partida. A ferramenta reconstrói posicionamentos, identifica padrões de jogo e simula cenários táticos, auxiliando treinadores e departamentos de análise na preparação para os adversários.

Lembra de que eu falei que os árbitros tem aquela câmera na altura do olho, que inclusive usa tecnologia da Lenovo? Pois bem, além dessa câmera, existe outra ferramenta que está ajudando muito o VAR, que é o nosso segundo item: os sensores presentes na bola “Trionda”. O chip posto dentro da bola oficial facilita a captura do movimento da redonda a todo instante, o exato momento do passe - fundamental para o controle de impedimentos – e claro, a posição em lances no limite de uma área, em pênaltis duvidosos ou gols em que a linha é ultrapassada no detalhe. Ela rastreia tudo o que acontece durante a partida e envia dados em tempo real para o sistema de Árbitro Assistente de Vídeo, que é o VAR. Isso é feito 500 vezes por segundo, dando essa possibilidade de acompanhar com mais precisão cada movimento da bola ao longo do jogo.

Terceiro, como os jogos estão espalhados pela América do Norte, em pleno verão, o calor é um desafio enorme para o rendimento dos atletas. Alguns estádios estão usando sensores térmicos no gramado interligados a uma IA e pela Internet das Coisas, o IoT. Esse sistema mede temperatura, umidade e
circulação do ar centímetro por centímetro, utilizando sensores no solo, e ajusta automaticamente a intensidade do ar-condicionado e dos exaustores apenas nas áreas do campo que estão sobreaquecidas. Nos estádios que bloqueiam a luz solar, climatizadores conhecidos como “Turf Fans” e painéis de iluminação artificial são ativados com base nos dados dos sensores para controlar o microclima do campo.

Além disso tudo, tem a questão do Serviço de Proteção de Mídias Sociais, o nosso quarto item, que a FIFA criou para proteger os jogadores, equipes e funcionários de abusos on-line, mantendo seus feeds sociais livres de ódio e permitindo que participem de forma tranquila. Ele também impede que seus seguidores sejam expostos a postagens abusivas, discriminatórias e ameaçadoras que impeçam a normalização desse tipo de ações.

Na parte da transmissão, sendo esse o nosso quinto item, esse ano existe a competição entre velocidades de transmissão pelas emissoras de TV aberta – TV Globo, SBT, N Sports, Globoplay e ge tv - e de streaming - a CazéTV -, algo que, até a edição de 2022, era impensável. Existe um atraso na entrega do conteúdo, o famoso “delay” ou “latência”, por conta do volume de dados e quantidade de estágios de processamento ou retransmissão das informações – quanto mais intermediários, mais lento será. Por isso, o meio que tem menos delay, atualmente, é o sinal de rádio AM e FM, que já fiz vídeo falando sobre isso no canal, que tem esse atraso de 3 a 5 segundos. Depois, vem o sinal de TV Aberta, que também tem vídeo no canal explicando, com seus 6 a 8 segundos de delay. Porém, ela ganhou um rival que promete ter esse mesmo atraso, porque antes não tinha, que é o streaming de protocolo de baixa latência, que atualmente que tem esse sistema é o Globoplay, focado nos canais ao vivo com o “ge tv”. Esses protocolos, como o LL-HLS/LL-DASH, diminuem a quantidade de pacotes de dados necessários que trafegam na internet, para que as informações cheguem continuamente nos dispositivos conectados. Logo depois, vem as transmissões de TV a cabo e satélite, que tem seus 7 a 10 segundos de atraso porque o sinal tem que chegar da emissora para a operadora, para a operadora retransmitir e chegar aos usuários. Em seguida, vem o streaming padrão, que é o do YouTube, que chega a ser de 15 a 30 segundos. Por isso que, você, que assiste na CazéTV tem tanto atraso comparado a quem assiste na TV Aberta por exemplo, já que a Cazé é no YouTube. E o que mais atrasa é, sem dúvidas, o streaming da Disney+, Prime Video, que chega até ser de 1 minuto.

Certo, mas daí você pode chegar assim para mim: “Gabriel, qual o que tem a melhor qualidade de áudio?”. Essa pergunta talvez seja muito específica, mas a que você consegue áudio imersivo, como um Dolby Atmos 5.1.4, e imagem em 4K a 60 quadros, é só no streaming como Globoplay ou alguns sinais de TV a cabo. No caso da CazéTV, você tem sim 4K a 60 fps, mas o áudio é estéreo, de alta fidelidade, mas estéreo. Na TV Aberta, pode até ter 5.1, mas ele na grande maioria das vezes é comprimido pelo HE-AAC. Por isso a promessa da TV 3.0, que já está presente em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, em cidades selecionadas, de entregar áudio imersivo pelo codec MPEG-H e imagem 4K a 8K.

Mas, de onde vem toda essa massa de dados do evento para nós que assistirmos de casa? Ele vem do Centro Internacional de Transmissão, o nosso sexto e último ponto, que em inglês é International Broadcast Centre, ou IBC, montado no Kay Bailey Hutchison Convention Center, na cidade de Dallas, no Texas, Estados Unidos. Mas o que é processado lá? As operações de repetição, controle gráfico, mixagem de áudio e sombreamento de câmera são todas realizadas remotamente a partir do IBC, com seis galerias dedicadas que suportam fluxos de trabalho de gráficos, replay, áudio e sombreamento. Eles fazem a conversão de HDR, das câmeras, para o SDR em locais que só suportam o espaço de cor mais simples; fazem as mixagens de áudio imersivas, 5.1 e estéreo, para os diferentes lugares que falei anteriormente; basicamente toda a entrega do conteúdo de vídeo e áudio limpos sai de lá para as empresas aqui no Brasil e para o resto do mundo.

Só para você ter ideia, cada partida implanta aproximadamente 45 câmeras, suportadas por sistemas de câmeras a cabo, vários canais dos microfones instalados em cada um dos estádios, drones de transmissão de transporte pesado e plataformas de drones ágeis, menores, capazes de operar em espaço aéreo restrito, redes de nuvem IP para enviar os dados, e por aí vai.

Claro que existem outras coisas de tecnologias, mas deu para mostrar que essa Copa tem, e muita tecnologia embarcada no evento. Agora me contem: Qual plataforma você está acompanhando o evento? Você prefere a imagem perfeita, mesmo com atraso, da internet, ou a velocidade da TV aberta com qualidade normal? Me contem aqui nos comentários! Então, tchau!

Link do vídeo sobre esse assunto: https://youtu.be/vYCmuBcQ4RE 

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